FORUM

Notifications
Clear all

Debate grupos 7 e 8 - exportação de gado vivo

1 Posts
1 Users
0 Likes
24 Views
(@rafaela-nofuente-moreli-da-silva)
Active Member
Joined: 2 months ago
Posts: 2
Topic starter  

EXPORTAÇÃO DE GADO VIVO

 

Integrantes

Grupo 7 (pontos que garantem BEA): Isabella Moreira Cavalcante Banho, Rafaela Nofuente Moreli da Silva, Gabriel Gurgel Vicente Correia Alves, Mateus Guimaraes Camara, Lucas Tuena Ferreira da Silva, Ana Clara Lopes da Silva, Nathally Santos Barros.

Grupo 8 (pontos que ferem BEA): Giovanna Morosi Calderon, Jullyane Torres dos Reis Oliveira, Laryssa Kellen Santos Teixeira, Luana Tenorio Magalhaes, Mariana Dornelas Marques, Maria Eduarda da Silva.

 

Link das notícias utilizadas:

https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2025/04/13/exportacao-de-gado-vivo-cresce-no-brasil-em-meio-a-denuncias-de-maus-tratos-e-condicoes-insalubres.ghtml

 

Resumo das notícias

Segundo a notícia apresentada pelo G1, a exportação de gado vivo cresce no Brasil, mesmo diante de denúncias sobre as condições insalubres em que os animais são transportados. É relatado uma quantidade exacerbada de fezes e urinas nas instalações: “A embarcação, que saiu do Rio Grande do Sul rumo ao Iraque, precisou parar na África do Sul e deixou a Cidade do Cabo com um ‘fedor inimaginável’.”. Além disso, somado ao apelo de bem-estar animal, os confinamentos prolongados também trazem riscos sanitários que podem prejudicar a imagem internacional do Brasil. Ainda assim, essa atividade cresce em ritmo acelerado, devido à forte demanda externa, sem ser acompanhada por soluções para as condições precárias a que os animais são submetidos.

 

Argumentação:

Por que não se deve manter a exportação de gado vivo:

  1. Fere as 5 liberdades e, consequentemente, o bem-estar animal

A exportação de gado vivo representa uma grave violação dos princípios de bem-estar animal, ferindo diretamente as cinco liberdades reconhecidas internacionalmente.

A primeira delas, a liberdade de fome e sede, é comprometida durante o transporte marítimo, em que os animais frequentemente enfrentam restrição de acesso à água e alimento. As condições de confinamento dificultam a alimentação adequada, há competição entre indivíduos, e parte da ração se perde devido à umidade e ao movimento do navio. Isso resulta em desidratação, perda de peso, acidose ruminal e comprometimento metabólico, o que é comprovado por estudos que demonstram aumento da osmolaridade plasmática em animais submetidos a viagens longas, indicando desidratação crônica.

A liberdade de desconforto também não é garantida. Os navios de transporte oferecem pouco espaço, pisos escorregadios e cobertos por fezes e urina, causando lesões nos membros e pododermatites. Além disso, a temperatura e a umidade nos porões frequentemente ultrapassam os limites de conforto térmico, levando ao estresse por calor. A ventilação é inadequada, e o acúmulo de gases, como a amônia, afetando a respiração e o bem-estar. Dessa forma, os animais permanecem por dias ou semanas em condições antinaturais, sem possibilidade de descanso adequado.

A liberdade de dor, ferimento e doença é constantemente violada. O transporte prolongado leva à alta incidência de ferimentos e doenças, agravadas pela ausência de atendimento veterinário adequado a bordo. Muitos animais doentes ou feridos não recebem tratamento e são descartados no mar, o que também causa impacto ambiental. Relatos de inspeções mostram que o manejo nos embarques é frequentemente realizado com o uso de bastões elétricos e gritos, intensificando a dor e o medo.

A liberdade de medo e estresse é severamente afetada, já que o transporte é altamente estressante devido ao ruído constante dos motores, à trepidação, ao calor e à separação dos grupos sociais. Os bovinos, que possuem comportamento social complexo, sofrem ao serem isolados e ao presenciar o sofrimento de outros. Esse estresse psicológico se prolonga durante todo o trajeto e até o abate, especialmente em países onde não há protocolos humanitários de insensibilização. O aumento dos níveis de cortisol e catecolaminas no sangue comprova cientificamente esse sofrimento.

Por fim, a liberdade para expressar comportamento natural é totalmente comprometida. O confinamento nos navios impede o pastoreio, o deslocamento, o descanso adequado e as interações sociais. O comportamento natural do bovino — como pastar, deitar e ruminar em local seco e limpo — é completamente suprimido, configurando uma forma grave e contínua de sofrimento crônico.

Não são raras as notícias que envolvem sofrimento animal associados à transportes de longa duração. Nos últimos anos, 3 notícias ganharam fama neste assunto:

  • Pará: um navio afundou com cerca de 5 mil bovinos, deixando manchas por 4km no mar após o derramamento de 700 toneladas de óleo diesel;
  • África do Sul: um navio que saiu do Rio Grande do Sul rumo ao Iraque teve que parar na África do Sul devido às péssimas condições sanitárias do navio, que continha bois mortos, doentes e cobertos de fezes;
  • Turquia: uma embarcação com 27 mil animais saiu do Porto de Santos foi inspecionada por uma médica veterinária, que comprovou maus tratos e violação explícita da dignidade animal;

Casos como estes não são raros, sendo que nos últimos 5 anos mais de 2.3 mil bois morreram durante o transporte marítimo.

 

  1. Perda de carcaças e da qualidade de carne no destino final

Devido ao estresse, ferimentos e morte dos animais, ao final do destino há perda da qualidade de carne, condenação de carcaças e até perda dos próprios animais, visto que os bois que morrem durante o transporte são muitas vezes jogados ao mar.

 

  1. Falha da legislação

A fragilidade das bases legais influencia diretamente na dificuldade de fiscalização e ocorrências de tragédias. No próprio transporte, o capitão do navio está subordinado a regras e procedimentos definidos por organizações internacionais regulamentadoras de transporte marítimo de modo geral, o que atualmente, no que se refere à carga viva e ao bem-estar animal, se apresenta deficiente. 

 

  1. Outras opções que fogem do transporte de animais vivos

Como alternativa para substituição para o transporte de gado vivo, há o transporte de carne congelada, que apresenta maior valor agregado ao setor, geração de empregos e fortalecimento dos setores sem o comprometimento da balança comercial, além de movimentar o mercado nacional de forma a valorizar a carne brasileira.

 

Por que manter a exportação de gado vivo:

  1.  Impacto econômico

A exportação de gado vivo representa uma parcela expressiva da economia pecuária brasileira, sendo uma atividade que contribui para o fortalecimento do agronegócio nacional. Em 2024, o país exportou 1 milhão de bovinos vivos, gerando uma renda de R$4,1 bilhões (US$829 milhões) segundo a Secex, enquanto que, até setembro de 2025, esse número já cresceu em 15,9% (790, 9 mil cabeças de gado). Com isso, pode-se inferir que o valor movimentado contribui para a balança comercial do Brasil, permite manter o país em uma posição de destaque no mercado global, além de sustentar o desenvolvimento regional, principalmente do Norte e Nordeste, fomentando a geração de empregos em fazendas, portos, transporte, frigoríficos e inspeção veterinária. Dessa forma, a eliminação dessa atividade causaria forte impacto econômico, já que levaria à perda de mercados consolidados e alteração da cadeia produtiva. 

 

  1.  Mercado Halal

Países de maioria muçulmana, como Turquia, Egito, Iraque e Líbano, exigem que os animais cheguem vivos e saudáveis em seu país para que seja realizado o abate de acordo com os preceitos religiosos do Halal. Segundo a Scot Consultoria, 60% do total exportado em setembro representa uma demanda de países muçulmanos, confirmando seu domínio no mercado de gado vivo. 

Para o Brasil, é extremamente vantajoso comercializar gado para o abate Halal, dado que o preço médio por tonelada de animal vivo é 28,7% superior ao da carne in natura e o país enfrenta pouca concorrência internacional, favorecendo sua posição econômica e diplomática.

 

  1.  Celebrações culturais e religiosas

A exportação de gado vivo possui um papel cultural importante, especialmente para países de maioria muçulmana, por ser parte essencial de tradições religiosas e celebrações festivas. Nesse contexto, o abate do animal vivo tem um valor espiritual e simbólico, não podendo ser substituído pela importação de carne in natura. Por isso, a manutenção dessa atividade é importante para que o Brasil, ao atender essas demandas, associe competitividade econômica com competência intercultural, respeitando a diversidade e fortalecendo relações diplomáticas com seus parceiros comerciais.

 

  1. Exportação para reposição

Fora o abate Halal, cerca de 26% dos bovinos exportados são destinados à reposição, logo não podem ser convertidos em carne, representando uma função econômica distinta.

 

  1.  Fiscalização pode garantir um transporte adequado

O maior problema sobre o transporte de animais vivos, é a falta de fiscalização. A instrução normativa MAPA n° 46/2018 segue padrões da OMSA para o transporte marítimo de animais, e desde 2018 há planos de incluir monitoramento eletrônico de viagem, relatórios obrigatórios e equipe de inspeção ampliada. O que devemos defender é a maior atuação de médicos veterinários fiscalizando todas as etapas do transporte, se for feita uma fiscalização adequada e as operações bem realizadas, os casos são isolados. Assim, evitamos uma proibição que afetaria empregos e renda.

Além disso, a exportação devidamente fiscalizada garante melhor bem-estar nas fazendas. Isso porque, para o produtor exportar é necessário cumprir exigências de sanidade e manejo de alto nível, e isso incentiva as boas práticas de manejo em toda a cadeia, incluindo o gado do Brasil, favorecendo uma pecuária mais tecnificada.

 

Conclusão

A exportação de gado vivo é um tema que envolve tanto aspectos econômicos e culturais quanto questões éticas e sanitárias. Apesar de sua relevância para a economia brasileira e para o atendimento das demandas do mercado internacional, especialmente o Halal, os impactos negativos sobre o bem-estar animal são evidentes e preocupantes. As condições de transporte, frequentemente precárias, ferem princípios básicos de dignidade e saúde dos animais, comprometem a imagem internacional do país e colocam em risco a sustentabilidade da pecuária nacional.

Dessa forma, torna-se imprescindível que o Brasil busque alternativas mais éticas e seguras, como o fortalecimento da exportação de carne refrigerada ou congelada, que agrega valor, mantém a competitividade e reduz o sofrimento animal. Caso a exportação de gado vivo seja mantida, é fundamental que haja uma fiscalização rigorosa e contínua, com atuação efetiva de médicos-veterinários e cumprimento integral das normas internacionais de bem-estar animal.

Somente com uma abordagem equilibrada entre economia, ética e responsabilidade será possível garantir que o país avance rumo a uma produção pecuária moderna, sustentável e respeitosa com os animais.

 


   
Quote
Share:
Skip to content