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USDA’s bird flu strategy under fire as AWI demands reform ; Métodos de depopulação de aves domésticas frente aos focos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP)
Integrantes do Grupo 5: Diogo Jimenez Frade, Enrico Augusto Alves, Graziella Santos Brito, Helena Ferreira Magnanini, Iris Alves de Jesus, Isabella Martin Lourenço, Livian Ferreira de Oliveira, Maria Eduarda Camargo Paes e Maria Victoria Sabino da Silva.
Integrantes do Grupo 6: Leticia Gabriele Fachini, Lívia Vitória Munhoz Capellaço, Lucas Augusto Iizuka de Sousa, Mariana Vitoria Silva Miranda Moraes, Nathalia Beatriz Santos de Souza, Paola Miranda Amaral, Scarlett Edna Gemio Orinochi e Thais Maria Alves.
Grupo 5 - Pontos que defendem o bem-estar
1. Contenção rápida do sofrimento e da mortalidade
Em surtos de influenza aviária altamente patogênica (HPAI), a mortalidade das aves pode atingir níveis muito elevados. As aves infectadas frequentemente apresentam febre, apatia, dificuldade respiratória e hemorragias, caracterizando intenso sofrimento. Caso a doença não seja controlada, o número de animais adoecidos e mortos aumenta rapidamente.
A depopulação emergencial tem como objetivo interromper a transmissão do vírus e reduzir o número total de aves que sofrerão ou morrerão em decorrência do surto. Um estudo conduzido no Brasil mostrou que, em um episódio de HPAI, 92% das aves morreram ou foram abatidas até o quinto dia após a notificação, evidenciando a rapidez e gravidade da disseminação.
Diretrizes internacionais de bem-estar em emergências reconhecem que, em situações de doença animal, a destruição de animais infectados ou em contato pode ser necessária, e que os métodos de depopulação devem evoluir para garantir resultados aceitáveis sob a ótica do bem-estar animal.
2. Perspectiva de bem-estar coletivo
O bem-estar animal não se limita ao indivíduo, mas também envolve a saúde e o sofrimento do conjunto populacional. Em cenários de emergência sanitária, a ação rápida e humanitária busca prevenir o sofrimento em massa, evitando que milhares de aves enfrentem doenças prolongadas e condições de dor severa.
A decisão pelo abate sanitário é, portanto, proporcional e ética, pois implica um menor sofrimento individual imediato para evitar sofrimento muito maior em escala populacional.
3. Métodos humanitários e protocolos especializados
A depopulação não é, por definição, uma prática cruel. Existem protocolos técnicos e normas internacionais que orientam sua execução de forma a garantir rapidez, mínima agitação dos animais e foco no bem-estar.
O método de abate deve considerar o bem-estar animal, a segurança dos trabalhadores, a biossegurança, o impacto ambiental, o tipo de criação e a viabilidade operacional.
De acordo com as diretrizes da American Veterinary Medical Association (AVMA), a depopulação só deve ser adotada em emergências sanitárias graves e requer avaliação criteriosa do método utilizado. Da mesma forma, o Animal Welfare Committee (Reino Unido) enfatiza que os métodos empregados — como o ventilation shutdown, por exemplo — devem ser constantemente revisados para minimizar o sofrimento animal.
Assim, uma depopulação conduzida adequadamente é compatível com os princípios de bem-estar animal; o problema ocorre apenas quando a execução é inadequada.
4. Saúde pública, zoonoses e proteção de outros animais
Alguns vírus aviários altamente patogênicos possuem potencial zoonótico e risco de disseminação entre espécies. Mesmo quando o risco humano é baixo, a perda de controle sanitário amplia o sofrimento — afetando aves, outras espécies e o equilíbrio ambiental.
O abate sanitário, ao interromper a transmissão, protege aves saudáveis, previne novos surtos, reduz o risco para outros criadores e impede a deterioração das condições de criação.
A European Food Safety Authority (EFSA) destaca que a introdução da influenza aviária representa risco não apenas à saúde animal, mas também ao bem-estar das aves em geral, reforçando a importância das ações de controle.
5. Sustentabilidade econômica e bem-estar futuro
Embora o abate cause perdas pontuais, especialmente para pequenos produtores, ele previne danos econômicos muito maiores. A disseminação de um vírus como o da HPAI em granjas comerciais poderia gerar embargos internacionais, perdas de exportação e desemprego no setor avícola.
O custo do abate é pequeno em comparação ao impacto de uma epidemia fora de controle. Surtos prolongados resultam em abandono de animais, condições de criação precárias e superlotação, agravando o sofrimento.
A adoção de medidas rápidas e controladas favorece a retomada da produção em condições sanitárias seguras, garantindo melhores padrões de bem-estar animal no futuro. Trata-se, portanto, de uma medida de responsabilidade sanitária, econômica e ética.
Fontes utilizadas pelo Grupo 5:
AGÊNCIA CORA CORALINA DE NOTÍCIAS. Para conter foco de gripe aviária, Goiás conclui ações emergenciais. Agência Cora Coralina de Notícias, 17 jun. 2025. Disponível em: https://agenciacoradenoticias.go.gov.br/158322-goias-conclui-acoes-emergenciais-para-conter-foco-de-gripe-aviaria . Acesso em: 22 out. 2025.
BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Secretaria de Defesa Agropecuária. Departamento de Saúde Animal. Métodos de depopulação de aves domésticas frente aos focos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP). Brasília, DF: MAPA, 2023.
DEFESA AGROPECUÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Influenza aviária: Defesa Agropecuária realiza ações sanitárias diante do primeiro caso em criação de subsistência. Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, 14 jul. 2025. Disponível em: https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/noticias/2025/influenza-aviaria-defesa-agropecuaria-realiza-acoes-sanitarias-diante-do-primeiro-caso-em-criacao-de-subsistencia,2311.html . Acesso em: 22 out. 2025.
TURNER, P. V. et al. Mass depopulation of laying hens in whole barns with liquid carbon dioxide: Evaluation of welfare impact. Poultry Science, v. 91, n. 7, p. 1558-1568, 2012. DOI: 10.3382/ps.2012-02139
UNMC. Avian flu outbreak in California leads to depopulation of 1.5 million chickens and turkeys. The Transmission, University of Nebraska Medical Center, 5 nov. 2024. Disponível em: https://www.unmc.edu/healthsecurity/transmission/2024/11/05/avian-flu-outbreak-in-california-leads-to-depopulation-of-1-5-million-chickens-and-turkeys/ . Acesso em: 22 out. 2025.
Grupo 6 - Pontos que ferem o bem-estar
- Fatores que pressionam a execução rápida da depopulação e má aplicação dos métodos de depopulação:
Em casos de depopulação emergencial, existem diversos fatores que pressionam os trabalhadores a executar o processo em um menor tempo possível. Entre eles, pode-se destacar os bloqueios de transporte, risco biológico e pressão econômica. Por isso, nos métodos em que é necessário a apanha prévia das aves, se executados de forma abrupta, podem provocar reações de pânico e tentativas de fuga, além de que as aves são aglomeradas para facilitar a operação, sendo outro fator problemático, tendo em vista que pode gerar hipertermia por falta de ventilação, estresse, pisoteamento, lesões, fome e sede.
Ainda, é possível inferir que um dos principais problemas verificados na execução da depopulação é a má aplicação dos métodos, como o uso incorreto da espuma e falhas na concentração e dosagem de CO2, que podem causar agonia prolongada, asfixia dolorosa e desconforto respiratório antes da inconsciência.
- Falta de verificação individual das aves:
Na depopulação em massa, cada ave não é verificada individualmente quanto a efetividade da perda da consciência e da morte no tempo recomendado para que o bem-estar seja garantido, aumentando as chances de sobreviventes conscientes durante as próximas etapas de descarte e incineração. Isso pode gerar o sofrimento prolongado de aves ainda vivas, sendo essa uma violação grave ao bem-estar previsto pelo CONCEA no Brasil. O que se estuda é que, em média, as aves demoram até 30 segundos para que percam completamente a consciência, enquanto que já começam a possuir sensações de desconforto e sufocamento nos primeiros 5 segundos, o que resulta em cerca de 25 segundos de agonia, medo, dor e pânico coletivo. Tais afirmações podem ser observadas por meio de expressões claras de estresse generalizado, como vocalizações intensas de desespero, movimentos convulsivos e tentativas de fuga a qualquer custo. Ademais, considera-se que o CO2 ou a espuma, geralmente, não atingem de forma uniforme todos os animais ao mesmo tempo e que, por variações fisiológicas, nem todos respondem de maneira igual ao método.
- Métodos mais humanitários e limitações práticas:
Normalmente, os métodos mais humanitários, como a insensibilização elétrica individual, uso controlado de gases anestésicos (argon, nitrogênio) ou câmaras de CO₂ com monitoramento preciso, são lentos, caros e exigem infraestrutura especializada, o que raramente está disponível nas granjas. Em momentos de emergência sanitária, as granjas tendem a optar por métodos rápidos e baratos, ignorando os possíveis geradores de sofrimento. A exemplo disso, destaca-se a notícia publicada em 22 de março de 2025 pelo “Feed business Middle East and Africa”, que demonstrou que durante surtos recentes de gripe aviária nos Estados Unidos, houve a implementação do método de ventilação e aquecimento (VSD ou VSD+), no qual o sistema de ventilação é desligado e o galpão é aquecido até que as aves morram por hipertermia e asfixia, sendo barato, rápido e eficaz sanitariamente. Em contrapartida, o método gera sofrimento extremo e é fortemente criticado por entidades de proteção animal e pela WOAH. Assim, o debate atual gira em torno da ética de recorrer a um método cruel para resolver uma crise causada pelo próprio sistema produtivo. Por conta disso, infere-se que as políticas públicas, muitas vezes, preveem métodos rápidos e de baixo custo em detrimento de alternativas éticas que prezam pelo bem-estar animal.
É importante ressaltar que o Código Terrestre da WOAH, atualizado em 2024, é claro ao afirmar que a depopulação em emergências sanitárias deve ser conduzida por pessoas treinadas para garantir o bem-estar animal. No entanto, na prática, em situações de emergência sanitária na avicultura, os abates em massa, geralmente, são realizados por funcionários da granja, militares ou equipes emergenciais locais, e não por profissionais especializados em abate humanitário. Tais trabalhadores, porém, não possuem formação técnica suficiente em bem-estar animal (BEA), manejo ético de aves ou fisiologia da morte. Essa falta de preparo resulta em erros de manejo e métodos aplicados de forma inadequada, prolongando o sofrimento dos animais.
- Métodos empregados na depopulação e desvantagens:
Com base no documento “Métodos de depopulação de aves domésticas frente aos focos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP)” do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), pode-se evidenciar os métodos empregados na depopulação em emergências sanitárias na avicultura e suas respectivas desvantagens, sendo eles:
- Deslocamento cervical: é estressante devido ao manuseio e não é indicado para animais acima de 3 kg.
- Dardo cativo não penetrante: podem haver falhas no equipamento, requer treinamento do operador e necessita de contenção das aves isoladas.
- Anestésicos (barbitúricos, administrados por vias intravenosa, intramuscular e intraperitoneal): a droga e a via de administração podem ser irritantes e dolorosas se mal aplicadas.
- Dióxido de carbono/mistura de gases: pode ser realizado de diversas maneiras, sendo:
1) Introdução das aves em unidade contentora com gás (container, caixas, sacos, tendas de lona): pode ocasionar morte por asfixia ou sufocamento devido à alta densidade; o CO2 pode causar um momento de choque nos animais antes que eles percam a consciência; apresenta dificuldade de avaliar os sinais de morte das aves que estão dentro da unidade contentora; as aves próximas à ejeção de ar podem ter adicional estresse devido à alta pressão de ar frio.
2) Introdução de gaiolas ou caixas com aves em uma unidade contentora de gás: apresenta dificuldade de avaliar os sinais de morte das aves que estão dentro da unidade contentora.
3) Introdução de gás em um aviário fechado: difícil verificação de morte; a temperatura extremamente baixa do CO2 líquido introduzido no galpão e a formação de CO2 sólido (gelo seco) podem danificar o sistema de distribuição e afetar o bem estar das aves próximas à ejeção do ar.
4) Espuma de alta hermeticidade (morte por anóxia após submersão na espuma; espuma à base de água, ou com CO2 ou N2): a aplicação de maneira incorreta e bolha com tamanho inadequado (grande) pode acarretar sofrimento aos animais; impossibilidade de avaliação dos parâmetros de eficiência do método (morte da ave); a espuma mostra-se inviável para a avicultura de postura em gaiolas nos sistemas em vários níveis, pois é drenada rapidamente pelo piso de malha das gaiolas, inviabilizando a uniformização da oferta de espuma às aves.
Por fim, é válido destacar que, em muitos casos de surtos e emergências graves em avicultura comercial, a depopulação em massa pode ser necessária do ponto de vista sanitário. No entanto, esta deve ser conduzida de maneira humanitária e racional, de modo a priorizar o bem-estar dos animais acometidos. Desse modo, é importante adotar métodos aprovados por órgãos internacionais (ex.: OIE/WOAH, EFSA, USDA) que garantam uma inconsciência rápida e irreversível, como o uso controlado de CO2 ou gás inerte (como argônio ou nitrogênio) com concentração e tempo padronizados; espuma com supressão de oxigênio apenas quando aplicada de modo que cause inconsciência em segundos e com supervisão veterinária, além de evitar métodos de asfixia lenta, privação de ventilação ou calor, que são inaceitáveis sob qualquer condição ética. Ainda, é necessário efetuar treinamentos para as equipes de emergência sanitária no quesito de manejo humanitário e identificação de inconsciência e morte das aves, além da presença de veterinários responsáveis técnicos durante os processos, de maneira a monitorar o bem-estar dos animais até o final dos protocolos de depopulação.
- Importância da prevenção:
Cumpre frisar que é de extrema importância que os produtores, proprietários e as organizações nacionais e internacionais invistam na prevenção dos surtos de doenças dentro das granjas, de modo a evitar a necessidade da matança em massa, o que pode ser realizado com protocolos de biossegurança, desinfecção, vazio sanitário e vacinação dos animais, por exemplo, como forma de retrair a transmissão de patógenos potencialmente causadores de emergências sanitárias que levam à depopulação.
Fontes e referências:
BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Métodos de depopulação de aves domésticas frente aos focos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP). Brasília, DF: MAPA, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/programas-de-saude-animal/pnsa/influenza-aviaria/manuais-planos-e-notas-tecnicas/metodos-de-depopulacao-de-aves-em-foco-de-iaap-dsa-mapa.pdf/view . Acesso em: 22 out. 2025.
WORLD ORGANISATION FOR ANIMAL HEALTH. Chapter 7.6 – Killing of animals for disease control purposes. In: Terrestrial Animal Health Code. Paris: WOAH, 2023. Disponível em: https://www.woah.org/fileadmin/Home/eng/Health_standards/tahc/2023/chapitre_aw_killing.pdf . Acesso em: 22 out. 2025.
ANIMAL WELFARE INSTITUTE. Ventilation shutdown used to “depopulate” farm animals during pandemic causes severe suffering. Washington, DC: Animal Welfare Institute, 1 jul. 2020. Disponível em: https://awionline.org/press-releases/ventilation-shutdown-used-depopulate-farm-animals-during-pandemic-causes-severe?utm . Acesso em: 22 out. 2025.
FEED BUSINESS MIDDLE EAST & AFRICA. USDA’s bird flu strategy under fire as AWI demands reform. Dubai: Feed Business Middle East & Africa, 18 mar. 2025. Disponível em: https://www.feedbusinessmea.com/2025/03/18/usdas-bird-flu-strategy-under-fire-as-awi-demands-reform/ . Acesso em: 22 out. 2025.
ISHIZUKA, Masaio Mizuno; ISHIZUKA, Walter Kazuhiko; BUCHALA, Fernando Gomes; ALBUQUERQUE, Ricardo de; MATUSHIMA, Eliana Reiko; ANDREATTI FILHO, Raphael Lúcio. Avaliação experimental do despovoamento de aves à base de espuma para emergências. Revista Brasileira de Pesquisa Veterinária e Zootecnia, São Paulo, Brasil, v. 2, pág. 155–160, 2011. DOI: 10.11606/S1413-95962011000200008. Disponível em: https://revistas.usp.br/bjvras/article/view/34367. . Acesso em: 22 out. 2025.
Conclusão do debate: Os grupos chegaram a conclusão de que a depopulação em emergências sanitárias na avicultura é necessária em prol da saúde única. No entanto, é essencial que os órgãos responsáveis se preparem previamente para, em situações de emergência, executarem com mais facilidade os métodos que favorecem o bem-estar individual das aves, evitando medidas extremas, como mencionado em algumas reportagens. Desse modo, a prevenção e organização são a chave para o bem-estar individual e coletivo.
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